A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar neste sábado o uso da tornozeleira eletrônica e negou que houvesse qualquer tentativa de fuga. Bolsonaro foi preso preventivamente depois de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, o equipamento foi imposto apenas para “causar humilhação”. Ele afirmou que o ex-presidente não tinha como fugir, já que havia escolta armada da Polícia Federal na porta de sua casa todos os dias.
O advogado também disse que Bolsonaro é idoso e enfrenta problemas de saúde decorrentes da facada sofrida em 2022. Para ele, o ex-presidente sempre esteve à disposição da Justiça.
A defesa criticou ainda a comparação feita pelo STF com outros casos, citando que o ex-presidente Fernando Collor cumpre prisão domiciliar por questões médicas. Segundo Cunha Bueno, Bolsonaro deveria ter o mesmo tratamento.
Na sexta-feira, Bolsonaro usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, o que gerou alerta no sistema de monitoramento. Moraes pediu manifestação da defesa em 24 horas e citou o episódio como indício de possível fuga. Também foi mencionada a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro próximo à casa do ex-presidente.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses no processo da trama golpista. Os últimos recursos devem ser apresentados até este domingo. Se forem rejeitados, as penas começarão a ser executadas.
A defesa também pediu prisão domiciliar humanitária, alegando necessidade de cuidados médicos, mas o pedido foi negado pelo STF. Os advogados afirmam que vão recorrer da nova decisão.
