O consumo de alimentos ultraprocessados mais que dobrou no Brasil desde os anos 80, passando de 10% para 23% da dieta. O alerta está em uma série de estudos publicados por pesquisadores de vários países, liderados pela USP.
O levantamento mostra que o aumento ocorre em todo o mundo, com exceção do Reino Unido. Nos Estados Unidos, os ultraprocessados representam mais de 60% da alimentação.
Segundo os pesquisadores, esse avanço é impulsionado por grandes empresas, que usam estratégias de marketing e produtos baratos para ampliar o consumo. O resultado é uma mudança nas dietas, ligada ao aumento de obesidade, diabetes e outras doenças crônicas.
Os estudos mostram que dietas ricas em ultraprocessados têm mais calorias, mais aditivos químicos e pior qualidade nutricional. Uma revisão de mais de 100 pesquisas de longo prazo indica aumento de risco para doenças cardíacas, câncer e problemas metabólicos.
Os autores defendem medidas como sinalização clara nas embalagens, restrição de publicidade e menor oferta de ultraprocessados em escolas e hospitais. O Brasil é citado como exemplo por limitar esses produtos no Programa Nacional de Alimentação Escolar.
O grupo sugere ainda taxação de certos produtos para financiar alimentos frescos e políticas de incentivo a dietas naturais.

