A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma campanha mundial para arrecadar fundos e ajudar milhões de refugiados e pessoas deslocadas a enfrentar o inverno em várias regiões do planeta. A iniciativa ocorre em meio à redução dos recursos internacionais destinados à ajuda humanitária, o que ameaça deixar milhares de famílias sem abrigo, roupas ou aquecimento.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a queda das temperaturas já está sendo sentida em países do Oriente Médio, da Ásia Central e do Leste Europeu. A diretora de Relações Externas do Acnur, Dominique Hyde, alertou que a agência enfrenta um dos invernos mais difíceis dos últimos anos. “Muitas famílias terão que suportar temperaturas negativas sem itens básicos, como cobertores, roupas quentes e medicamentos”, afirmou.
O Acnur espera arrecadar ao menos 35 milhões de dólares para isolar e reparar casas danificadas por conflitos, distribuir cobertores, aquecedores e roupas de frio, além de fornecer alimentos e remédios. Segundo Hyde, “em muitos casos, algumas dezenas de dólares podem fazer a diferença entre a vida e a morte durante o inverno”.
A situação é especialmente crítica em países como Síria, Afeganistão e Ucrânia. Na Síria, mais de 1 milhão de pessoas retornaram após o fim do regime de Bashar al-Assad, mas a maioria encontrou casas destruídas e enfrenta o frio sem abrigo. No Afeganistão, nove em cada dez pessoas vivem na pobreza, e mais de 2,2 milhões voltaram recentemente do Paquistão e do Irã em condições precárias. Já na Ucrânia, o país entra em seu quarto inverno sob ataques, com cidades enfrentando temperaturas de até 20 graus negativos e cortes frequentes de energia.
O Acnur alerta que os cortes de financiamento poderão deixar 750 mil pessoas sem ajuda essencial, como cobertores, colchões e utensílios domésticos.
A crise foi agravada após a decisão do governo dos Estados Unidos de cortar grande parte dos investimentos da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que mais de 80% dos programas da agência foram cancelados.
Um estudo publicado pela revista científica The Lancet estima que a redução dos recursos internacionais pode causar mais de 14 milhões de mortes prematuras até 2030, sendo cerca de 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos.
Segundo a ONU, as equipes humanitárias seguem atuando em campo, mas o tempo e os recursos estão se esgotando. “Precisamos de mais financiamento para tornar a vida de muitas pessoas um pouco mais suportável neste inverno”, reforçou Hyde.
