O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo aos líderes mundiais para reforçar o compromisso com o Acordo de Paris, durante a Cúpula do Clima realizada em Belém. Lula afirmou que o mundo ainda está longe de cumprir as metas que limitam o aquecimento global a 1,5ºC.
“O mundo ainda está distante do objetivo do Acordo de Paris. Precisamos perguntar se estamos fazendo o melhor possível. A resposta é: ainda não”, disse o presidente. Ele alertou que regiões como América Latina, Ásia e África correm risco de se tornarem inabitáveis nas próximas décadas devido ao aumento do nível dos oceanos.
Lula destacou que, mesmo com novos compromissos apresentados por cerca de 100 países, o planeta ainda caminha para um aquecimento de 2,5ºC. Ele defendeu medidas adicionais e um compromisso renovado para reduzir a distância entre o que é prometido e o que é feito.
O presidente também reforçou o papel dos povos indígenas e comunidades tradicionais na proteção ambiental e pediu mais financiamento internacional para ações climáticas. Segundo ele, o dinheiro destinado aos países em desenvolvimento é insuficiente e, muitas vezes, vem em forma de empréstimos.
“Não faz sentido cobrar juros de quem tenta combater o aquecimento global. Precisamos ver isso como investimento, não como gasto”, afirmou Lula, ao defender mecanismos de troca de dívidas por ações ambientais.
Lula também sugeriu taxar grandes fortunas e empresas multinacionais para financiar medidas contra as mudanças climáticas. “O 0,1% mais rico do planeta emite mais carbono em um dia do que metade da população mundial em um ano”, disse.
A Cúpula do Clima em Belém reuniu mais de 70 líderes mundiais e encerra a preparação para a COP30, que acontece de 10 a 21 de novembro, também na capital paraense.

