O Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já era esperada pelo mercado financeiro. Essa é a segunda vez seguida que o BC mantém a taxa no mesmo patamar.
A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano. O último aumento foi em julho deste ano. Antes disso, em maio de 2024, a taxa estava em 10,5% ao ano e começou a subir novamente em setembro do mesmo ano.
O principal objetivo do Banco Central com a Selic é controlar a inflação. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu 0,48%, puxado pela conta de luz. Com isso, o índice acumulou alta de 5,17% em 12 meses, acima da meta definida pelo governo.
Apesar disso, a prévia da inflação de outubro (IPCA-15) veio abaixo do esperado, com queda nos preços dos alimentos pelo quinto mês seguido. A meta de inflação para este ano é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que significa que o limite máximo é de 4,5%.
Segundo o Banco Central, a previsão oficial de inflação para 2025 é de 4,8%, mas o número pode mudar dependendo do câmbio e do comportamento dos preços. O mercado financeiro, porém, está um pouco mais otimista e espera que o índice feche o ano em 4,55%.
A manutenção da Selic também tem efeito direto sobre o crédito. Com juros mais altos, os empréstimos ficam mais caros, o que reduz o consumo e ajuda a segurar a inflação. Em compensação, o custo do dinheiro elevado dificulta o crescimento da economia.
No último relatório do BC, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025 caiu de 2,1% para 2%. Já o mercado prevê um leve avanço maior, de 2,16%.
A taxa Selic serve de referência para todos os juros da economia, inclusive os cobrados em empréstimos e financiamentos. Quando o BC aumenta a Selic, o objetivo é conter o aumento dos preços. Quando reduz, busca estimular o consumo e a produção. Por enquanto, o cenário econômico ainda pede cautela. A ata da reunião não foi publicada. O Banco Central optou por manter a taxa no mesmo nível.
