A exposição “Maria Bonomi: a arte de amar, a arte de resistir”, em cartaz no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, apresenta um amplo retrato da trajetória de uma das artistas mais importantes da arte brasileira. São mais de 250 obras que ocupam 11 salas, cobrindo sete décadas de criação. A curadoria é de Paulo Herkenhoff e Lena Peres. As informações são do site https://artebrasileiros.com.br/.

A mostra não segue uma ordem cronológica. As obras se misturam e se completam, mostrando o percurso criativo de Bonomi, hoje com 90 anos. Gravuras, esculturas, pinturas e vídeos revelam uma artista que sempre buscou inovar. “Gravar é ferir e, ao mesmo tempo, revelar”, diz Bonomi, resumindo o espírito de sua arte.

Entre os destaques estão as xilogravuras históricas “Barcos e luas”, de 1956, e “Pedra Robat”, exibida na Bienal de Veneza de 2024. Também chamam atenção obras como “Tropicália”, “Tetraz” e os “Epigramas”, feitos em metais como cobre e alumínio. Elas mostram como a artista transforma a matéria em linguagem visual.
A exposição também traz vídeos e registros de suas experiências com teatro e literatura. Há elementos cênicos criados para a peça “Peer Gynt”, de 1971, e homenagens a amigos como Clarice Lispector. O humor e a crítica social aparecem no vídeo “Paris Rilton”, feito em 2011, que ironiza o consumo e a superficialidade.
A trajetória de Bonomi se confunde com a história do Brasil. Suas obras públicas, presentes em locais como a Estação Sé do metrô e o Memorial da América Latina, mostram seu compromisso com o espaço coletivo e a arte acessível a todos.
Para os curadores, a mostra não é apenas uma retrospectiva, mas um diálogo entre tempos e linguagens. “Em Maria, o ato de imprimir não é repetição, é multiplicação”, afirma Herkenhoff.
Com vigor e lucidez, Maria Bonomi segue criando. “São oitenta anos de busca incessante, um ato de entrega, ainda não de missão cumprida”, diz a artista, que continua reinventando sua arte, e sua forma de amar e resistir.

