A União Europeia anunciou, na madrugada desta quarta-feira (5), um acordo de última hora que estabelece uma meta menos ambiciosa para a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2040. O anúncio ocorreu às vésperas da abertura da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que começa no dia 10 em Belém (PA).
Após longas negociações que avançaram pela noite de terça-feira, os ministros europeus responsáveis pelas políticas climáticas aprovaram um compromisso para reduzir as emissões em 90% até 2040, em relação aos níveis de 1990. No entanto, o texto final trouxe brechas que permitem aos países flexibilizar parte desse esforço.
Pelo novo acordo, os países europeus poderão usar créditos de carbono internacionais para cobrir até 5% da meta de redução. Isso significa que empresas e governos poderão pagar a outras nações para reduzir emissões em seu lugar, o que, na prática, diminui a redução direta exigida na Europa para 85%.
O bloco também abriu a possibilidade de ampliar esse uso de créditos em mais 5% no futuro, o que pode reduzir ainda mais o esforço interno para conter o aquecimento global.
Além da meta para 2040, a União Europeia definiu uma meta intermediária para 2035, com redução entre 66,25% e 72,5% das emissões.
A ONU pediu que todos os governos apresentem seus planos climáticos para 2035 antes do início da cúpula. A COP30 será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém e deve reunir cerca de 50 mil pessoas, entre representantes de governos, especialistas, jornalistas e mais de 15 mil integrantes de movimentos sociais que participarão da Cúpula dos Povos, evento paralelo dedicado à justiça climática.
