Flávio Olmos, presidente da Câmara Municipal de Olímpia, detido sob acusação de praticar rachadinha com os salários de seus funcionários, apresentou um requerimento para se afastar das atividades parlamentares por 120 dias. O pedido foi fundamentado no artigo que permite ao vereador solicitar licença para tratar de interesses particulares por um período de 30 a 120 dias durante a mesma sessão legislativa.

Conforme as informações divulgadas sobre o requerimento, o vereador menciona a investigação em andamento e considera conveniente o afastamento temporário diante das apurações. O pedido, porém, ainda depende de discussão e votação pelo plenário da Câmara.
Olmos também foi alvo de medida cautelar de prisão temporária no âmbito da Operação Caixa Fria. Segundo publicação da TV Web Menina Moça, a prisão temporária foi prorrogada por mais cinco dias, e o delegado responsável pela investigação informou que deverá solicitar, na sequência, a prisão preventiva por 30 dias. Essa informação ainda não foi confirmada.
A investigação busca esclarecer a origem e o destino das movimentações financeiras e verificar se houve desvio de recursos ou atuação conjunta dos envolvidos. Até a conclusão das apurações, todos os investigados devem ser considerados inocentes, conforme o princípio da presunção de inocência.
O que aconteceu
Uma decisão da Vara Regional das Garantias da 8ª Região Administrativa Judiciária, em Rio Preto, autorizou a Polícia Civil a realizar buscas em imóveis ligados ao presidente da Câmara Municipal de Olímpia, Flávio Augusto Olmos, e a outros três investigados, além do gabinete do vereador na sede do Legislativo. Foram cinco ordens de buscas e apreensões. A medida faz parte de uma investigação que apura suspeitas de peculato (desvio de dinheiro público) e associação criminosa, relacionadas a possíveis repasses de parte dos salários de servidores comissionados.
A decisão é de 8 de outubro de 2026, assinado pela juíza Luciana Conti Puia, a partir de uma representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público. O mandado teve prazo de validade de 20 dias e autorizou a apreensão de objetos e documentos relacionados aos fatos investigados, além de celulares e equipamentos de informática.
Suspeita de repasses mensais
Segundo a decisão, a investigação começou após uma notícia-crime encaminhada ao Ministério Público pelo vereador identificado no documento pelas iniciais O.A.H. Ele relatou suspeita de exigência de repasses de parcelas das remunerações mensais de servidores comissionados da Câmara durante a gestão de Flávio Olmos na presidência da Casa.
Um ex-chefe de gabinete da Presidência, identificado pelas iniciais M.M.M.S., declarou aos investigadores que teria recebido uma solicitação para entregar mensalmente R$ 3 mil a Olmos. De acordo com o depoimento reproduzido na decisão, os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro, em locais ligados à família do investigado e no gabinete da Presidência da Câmara. Os valores seriam retirados de forma parcelada, em quantias de R$ 2 mil e R$ 1 mil, após o recebimento dos salários.
O ex-assessor também afirmou ter presenciado supostos pedidos de dinheiro a fornecedores da Câmara e relatou constrangimentos no ambiente de trabalho. Segundo seu depoimento, uma visita de Olmos à sua residência contribuiu para que pedisse desligamento do cargo e mudasse de comarca.
A decisão registra que a versão apresentada pelo ex-chefe de gabinete teria encontrado respaldo em fotografias, extratos bancários e conversas encaminhadas ao Ministério Público. Também foram considerados dados obtidos por meio de autorização judicial para afastamento do sigilo bancário e um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Movimentações financeiras sob investigação
A análise dos registros bancários apontou saques em dinheiro, pagamentos repetidos de boletos, transferências a terceiros e depósitos em espécie. A decisão destaca coincidências entre as datas de retiradas feitas por servidores comissionados e depósitos identificados na conta bancária de Flávio Olmos.
Também foram identificadas movimentações consideradas atípicas pelo Coaf, incluindo créditos que, em novembro de 2024, teriam superado a renda declarada dos correntistas. O documento aponta ainda operações financeiras envolvendo pessoas politicamente expostas.
A investigação também examina pagamentos de boletos que, segundo o depoimento do ex-assessor, poderiam estar relacionados a familiares do presidente da Câmara. A decisão ressalta que a identidade dos beneficiários efetivos desses pagamentos ainda precisava ser esclarecida.
Para a juíza, a convergência entre os depoimentos, os registros bancários e as informações financeiras reunidas justificava a realização das buscas. A decisão também menciona que três investigados teriam prestado declarações consideradas incompatíveis com os dados bancários e documentais levantados pela investigação.
O que a Justiça autorizou
O mandado autorizou buscas em endereços vinculados a Flávio Olmos, no gabinete do vereador na Câmara Municipal e em imóveis ligados aos outros três investigados. Os endereços residenciais não são reproduzidos nesta reportagem.
A Polícia Civil foi autorizada a recolher documentos, objetos e equipamentos eletrônicos relacionados aos fatos. A ordem judicial também permite o acesso ao conteúdo armazenado nos celulares e computadores eventualmente apreendidos, inclusive mensagens, contatos, registros de chamadas, imagens, vídeos e arquivos guardados em serviços de nuvem, além da realização de perícia.
A decisão determina que as diligências sejam cumpridas durante o período diurno, entre 5h e 21h. Os policiais devem se identificar, apresentar e ler o mandado antes de ingressar nos imóveis. Se não houver moradores presentes, um vizinho disponível deverá ser chamado para acompanhar a operação. Em caso de resistência ou desobediência, a ordem permite o arrombamento e o uso da força estritamente necessária.
Após o cumprimento, a autoridade policial deverá elaborar um relatório circunstanciado e encaminhá-lo no prazo de cinco dias, com as informações sobre os procedimentos e eventuais apreensões. A conclusão das diligências também deverá ser comunicada à Vara Regional das Garantias.
O documento judicial trata de uma medida cautelar para reunir provas. Os fatos ainda estão sob investigação, e as suspeitas descritas na decisão não equivalem a uma condenação dos envolvidos.
Decisão judicial permitiu apreensão de documentos, celulares e computadores, além do acesso a mensagens e arquivos armazenados em nuvem; investigação apura suspeita de repasses de salários de servidores comissionados ao então presidente da Câmara, Flávio Olmos

